Viver com pouco e ser feliz

No outro dia vendo algumas fotos no Pinterest o desejo de ter um quarto igual às inspirações que vi tornou-se um motivo de pensamento que durou por toda a noite. Muitas vezes pensamos que ter muitas coisas e ter as melhores coisas, muitas delas amontoadas, sem lhes darmos uso, não precisamos mesmo delas.

A ideia de ter colchão no chão, encostado a uma parede, uma cômoda apenas (e não um monte delas), uma janela para me fornecer luz natural e me permitir ver as estrelas ou o pôr do sol, uns livros e algumas roupas, me fazem delirar. Provavelmente muitas pessoas olhariam para o que acabei de escrever e diriam “está maluca!” outras diriam que é assim que os pobres vivem. Uma vez, comentando num grupo surgiu a palavra pobre. Esta palavra tem as suas contorvercias porque de facto, ser pobre não é viver na miséria, ou não ter um quarto gigante e uma cama grande e um monte de coisas. Ser pobre é de facto aquelas pessoas que não têm onde viver, que não têm o que comer, que não têm onde dormir, ou como se agasalhar no frio. Ser pobre é também ser pobre de espírito e de conhecimento. Ninguém escolhe ser pobre, tal como no grupo pude ler. Ninguém nasce pobre. Todos nós somos ricos há nascença pois de facto, conseguimos chegar a este mundo (que não é perfeito mas que tem muitas coisas boas e outras que podemos mudar).

Provavelmente, ter um colchão no chão seja bem mais prático do que ter um estrato e montes de coisas. Poderás pular nele (as molas irão estragar mas que se dane!) sem a preocupação de que provavelmente vais partir um estrato de madeira que custa 2 rins e tu só tens 1. Às vezes vivemos com tanta coisa (mas tanta!) que nos esquecemos que há quem não tenha nem um par de meias. E há quem não pense na simplicidade que é viver desta forma. O quão bom é viver desta forma.

Lembro-me de quando a minha mãe abria o sofá-cama e deitávamo-nos ali. Preferia dormir ali do que na minha cama. Lembro-me de quando ia para casa de familiares e passava lá à noite, que dormia num colchão, no chão. Morri? Não. Fiquei pobre? Não. Dormi bem? Sim. Diverti-me? Sim. O que acham que realmente interessa? Estou falando numa cama, mas podemos falar de outras coisas.

Como por exemplo, roupa. Eu recebo imensa roupa. As pessoas dão-me e quando elas me dão (não tenho vergonha nenhuma em dizer que ando com roupa que já foi usada), revejo toda a roupa que arrumei da última vez em que me deram e vejo a que de facto não usei. Quando eu não uso uma vez quer dizer que não vou usar mais vez nenhuma, portanto separo tudo aquilo que vou ficar e aquilo que não irei usar. O que separarei pois não ia usar, doo. Sou a melhor pessoa por causa disso? Não. Sou solidária? Não. Apenas estou fazendo aquilo que fizeram comigo. Dar para receber. 

Olho à minha volta e penso “porque preciso de tudo isto?”. Metade das coisas nem uso, metade das coisas nem são necessárias. Daí também o surgimento de peças feitas com pallets. Sai mais barato? Óbvio que sim! E isto leva-nos ao próximo tópico que queria falar-vos: a poupança e o saber viver com pouco mas essencial. Dependendo da maneira como cada um é educado, alguns valores são nos ensinados e desde cedo cresci ouvindo a história de uma grande mulher que tinha tudo e ficou com quase nada, sendo a mesma forçada a deixar de ser patroa para ser empregada. Desde cedo ouvi que minha mãe passou muitas necessidades, juntamente com a sua família. Desde cedo cresci sabendo dar valor ao que temos pois amanhã poderemos não ter mais. Assim. Sem mais nem menos.

Por isso mesmo, para quê viver à grande e à francesa? Porque não poupar nas coisas fúteis que compramos e guardar para coisas que verdadeiramente queiramos? Talvez aquela viagem que há muito tempo sonhas. Ou talvez o casamento de sonho. Ou até para teres um filho. Por isso, o título deste post. Há que aprender a viver com pouco e ser feliz. Quando  o Tiago me pediu em casamento, disse-lhe que só precisávamos de um cantinho nosso e um colchão, onde pudéssemos dormir juntos e rodeados de amor. Bastava-nos ter comida, um fogão, um frigorífico e o resto amanhava-se. É viver com pouco? Sim mas não só. É viver com o essencial, sem tretas!

O que vejo mais é “para casar tens de ter bolo, tens de ter alianças de ouro, tens de convidar 200 pessoas,etc”. Todos vivem gastando mais do que realmente podem. Graças a Deus nunca passei fome, porém também já vivi algumas dificuldades e não foi por causa disso que morri. Geriu-se o dinheiro, viu-se o que realmente era importante ter, e pronto. Temos-nos uns aos outros? Temos amor? Temos teto? Temos comida? Temos tudo o que precisamos. Isso nos basta para sermos felizes. Pelo menos para mim é possível ser feliz vivendo com pouco.

Ser simples, saber viver com pouco, poupar e ter o essencial é difícil, mas quem tem planos para o futuro sabe que são necessários muitas vezes sacrifícios e alguns esforços, portanto não comecem daqui a 1 mês quando o dinheiro apertar e aparecer mais uma coisa para pagar, comecem já!

Vivam com simplicidade e sejam felizes!

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5 Comentários

  1. como é que faz o bolo de chocolate? 😛 A ver se me convenço a fazer um que realmente goste 😛

    Concordo plenamente contigo. Do pouco conseguimos fazer muito, sem dúvida alguma 🙂

    1. A minha mãe faz normalmente o bolo, só que coloca água morna (invés de leite), café (daquele que tomamos ao pequeno almoço) e óleo (há pessoas que não gostam de colocar). O resto são os ingredientes normais: chocolate em pó (não gostamos com cacau), farinha, ovos , manteiga ou margarina (quando temos banha colocamos invés da manteiga pois o bolo fica extremamente fofo) e açúcar. 😍 Fica muito bom.

      Exato! Às vezes temos tanta coisa e metade não usamos. 😉

  2. Eu sou daquelas pessoas que menos é mais. Gosto de ter menos coisas mas dar utilidade a tudo. Por exemplo eu tenho pouca roupa, mas a que tenho uso e todos os anos também faço como tu, doo. O meu namorado nunca o fez, por isso é que tem dois ou três armários cheios em casa dos pais… a minha faz-me impressão :l

    Beijinhos,
    http://www.bydezassete.com

    1. Eu tenho várias peças pois todos os meses recebo roupa em bom estado. De 6 em 6 meses, ou quando tenho tempo separo e doo tudo o que não usei. Faz-me impressão também, confesso. Acho que não precisamos de coisas que nem as usamos sequer. 😉

  3. […] muitoooos produtos! Desde que ando com a ideia de “menos é mais” (falei sobre isto aqui) deparei-me com várias outras coisas que faço de certa maneira, errado. Normalmente adoro […]

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